No Brasil, poucos são os estudos que se ocupam em investigar as necessidades de apoio de famílias que têm filhos com deficiência em seus contextos diários. Há também poucos instrumentos que buscam identificar e avaliar o nível de necessidade de apoio em áreas de vida familiar que influenciam o bem-estar da família em um determinado momento da vida. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi realizar a adaptação transcultural e a validação da escala Evaluación de las Necesidades Familiares – ENF para uso com famílias de crianças e adolescentes com deficiências. Um instrumento com potencialidade de ajudar as famílias e seus prestadores de serviço na identificação de necessidades e na tomada de decisões que resultem em medidas de apoio e qualidade de vida familiar. Para isso foram realizados dois estudos: o primeiro de caráter transversal, multicêntrico e metodológico de adaptação transcultural da escala para uso no Brasil. O segundo estudo foi de validação da escala, também de caráter multicêntrico, transversal, exploratório, descritivo e correlacional, com abordagem quantitativa. O estudo de adaptação transcultural foi realizado em seis estágios (tradução, reconciliação, retrotradução, avaliação por especialistas, desdobramento cognitivo e pré-teste), que resultaram em uma escala nomeada em português de Avaliação das Necessidades da Família – ANF, com 49 itens e com excelente índice de consistência interna (coeficiente Alfa de Cronbach de 0.98). Esses itens foram obtidos a partir de análises realizadas no Software SPSS versão 21, com uma amostra de 38 famílias de crianças e adolescentes com deficiências, com idades entre 0 e 18 anos, moradoras de quatro cidades brasileiras (São Paulo-SP, Santos-SP, Lagarto-SE e Maceió-AL). Para o estudo de validação da versão brasileira da ENF foram utilizados mais dois instrumentos: a Escala de Qualidade de Vida Familiar (QdVF Brasil), utilizada para verificar a validade de critério da ANF, é um instrumento que possui 25 questões que avaliam a satisfação familiar nos últimos 12 meses em uma série de atividades familiares; e o Questionário de Identificação da Família, elaborado pelas pesquisadoras a fim de obter dados socioeconômicos dos participantes. Participaram deste estudo 151 famílias de crianças e adolescentes com deficiências, com idades entre 0 e 18 anos, moradoras de quatro cidades brasileiras (São Paulo-SP, Santos-SP, Pelotas-RS e Maceió-AL), das quais 130 fizeram parte da amostra principal e 21 participaram da etapa do teste reteste. Para análise dos dados foi utilizado o Software R (The R project for Statistical Computing) versão 3.6.1. A estrutura do processo de validação da escala é indicada como válida a partir de uma estrutura obtida por meio do Modelo de Equações Estruturais (MEE), que confirmou um modelo final para a ANF com 46 itens distribuídos em sete dimensões (educação, vida em família, vida em comunidade, tempo livre, economia, aquisição e gestão de produtos e serviços e saúde e bem-estar emocional) com bom índice de ajuste dos dados (RMSEA = 0.041 e SRMR = 0.063), validade convergente satisfatória (rs (130) = -0.27, p < 0,001) e excelentes índices de confiabilidade obtidos (Alfa de Cronbach = 0.92 e Ômega de McDonalds = 0.94) e reafirmado por meio da técnica teste reteste (R1F = 0.98). A partir dos resultados obtidos pode-se afirmar que a ANF é válida, confiável e fidedigna para avaliar as necessidades das famílias brasileiras de crianças e adolescentes com deficiência menores de 18 anos.
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